História
O Legislativo na Construção de Mandirituba: Da Estrada da Mata à Autonomia Política
A história da Câmara Municipal de Mandirituba não é apenas uma cronologia de leis, mas o reflexo direto dos ciclos econômicos que moldaram os Campos Gerais. Se o ouro trouxe os primeiros povoadores e o tropeirismo traçou os caminhos, foi a necessidade de representatividade política que deu voz aos cidadãos desta terra.
1. As Raízes da Emancipação
Durante décadas, as decisões que impactavam Mandirituba eram tomadas na vizinha São José dos Pinhais. No entanto, o crescimento acelerado impulsionado pelas serrarias — como a icônica unidade dos Irmãos Bettega Ltda. no início do século XX — e o fortalecimento do comércio local criaram uma identidade própria.
O desejo de autogestão culminou na Lei Estadual nº 4.245, de 25 de julho de 1960. A partir deste marco, Mandirituba deixou de ser apenas um distrito judiciário para se tornar um município soberano.
2. A Fundação da Casa de Leis (1961)
A instalação oficial da Câmara Municipal ocorreu em um momento histórico de grande civismo: 15 de novembro de 1961. Naquela data, não apenas o primeiro prefeito foi empossado, mas também o primeiro corpo de vereadores, que assumiu a missão de redigir as primeiras normas locais.
Os pioneiros daquela legislatura enfrentaram o desafio de estruturar uma cidade que nascia da transição entre o extrativismo madeireiro e o início do ciclo agroindustrial. As primeiras sessões da Câmara foram fundamentais para:
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Organizar o traçado urbano e rural.
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Estabelecer os impostos que permitiriam os primeiros investimentos em educação e saúde.
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Mediar os conflitos de terra remanescentes das antigas fazendas da Estrada da Mata.
3. O Legislativo como Guardião do Patrimônio
Ao longo das décadas, a Câmara de Mandirituba evoluiu junto com a cidade. Se no passado os debates giravam em torno da passagem do gado e da produção das serrarias, hoje a Casa de Leis foca na modernização da infraestrutura e no suporte ao cinturão agrícola que abastece a região metropolitana de Curitiba.
A trajetória da Câmara reafirma o espírito do povo mandiritubense: a resiliência dos antigos garimpeiros que se tornaram agricultores e a visão estratégica dos tropeiros que viam nestas terras um ponto de conexão vital para o Sul do Brasil.
